O planejamento e a execução da estratégia nas empresas estão passando por uma revolução, com as novas metodologias e ferramentas de inteligência da Gestão Empresarial que, atualmente, está centrada em dois conceitos-chave: Balanced ScoreCard e Cockpit Management.
O Balanced ScoreCard - BSC é um modelo de Gestão Empresarial, com base em uma plataforma eletrônica, que estrutura logicamente a estratégia da empresa, traduzindo-a em indicadores de desempenho, metas e ações, nas dimensões Financeiro, Cliente, Processo e Aprendizagem.
Poucas empresas têm uma estratégia corporativa. Dessas, nove entre dez falham na implementação. A explicação já foi dada pela Fundação Getúlio Vargas: existem o estorvo de visão (só 5% dos funcionários compreendem a estratégia e, portanto, agem de acordo), o estorvo de gestão (85% dos executivos gastam menos de uma hora por dia com a estratégia), o estorvo dos recursos (60% das empresas não amarram o orçamento à execução da estratégia) e o estorvo das pessoas (só 25% dos gestores têm remuneração variável ligada à estratégia ). O BSC neutraliza essa deficiência por se tratar de um método de comunicação para ajudar a empresa inteira a implementar uma estratégia.
O BSC permite aos gestores trabalhar com o mesmo entendimento da estratégia corporativa, conseguindo explicá-la aos seus times e identificar e assegurar que as ações sejam consistentes com a estratégia (strategy map).
Em Reunião de Diretoria só se fala no "idioma BSC". Os gestores conseguem partir do mesmo nível de entendimento, quanto às quatro dimensões da Gestão Empresarial; (1) saúde financeira da empresa, expressa em aumento de rentabilidade, otimização do investimento de capital e crescimento por força própria; (2) satisfação do cliente expressa em liderança no mercado e capitalização de marca, base para o lançamento de novos produtos; (3) racionalização dos processos internos, expressa em redução de custo operacional e rapidez no desenvolvimento de produtos; (4) aprendizagem dos colaboradores, expressa no fortalecimento de competências e comportamentos centrais bem como a internacionalização e retenção de talentos.
O Cockpit Management é um modelo de Co-Gestão Empresarial, onde a atuação gerencial cotidiana é compartilhada dentro do time, em "sala de guerra" (cockpit), através de reuniões altamente produtivas sobre a performance da equipe gerencial. Trata-se, portanto, de uma mudança "radical" no sentido de dar vida à Gestão Empresarial.
Indicadores de Desempenho quantificáveis e Metas claras permitem Ações prioritárias com nomeação de responsáveis. O sistema comunica automaticamente, via intranet, o prazo para o término das ações, assim como o seu eventual atraso.
Os gestores podem acompanhar o impacto dos fatores que afetam o desempenho, de forma rápida, unificada e explícita, podendo agir conforme os sinais "verde", "amarelo" e "vermelho".
Um bom BSC inclui bancos de dados e modelos matemáticos manipuláveis, que permitem uma simulação de cenários. Os gestores fazem medições capazes de indicar se a estratégia está funcionando ou não. Os gestores compreendem que toda estratégia é feita sob hipóteses de causa e efeito. Incorporando o hábito de trabalhar com o BSC, os gestores estão sempre testando, descartando e melhorando hipóteses.
No entanto, o convívio com um BSC tem profundo impacto numa empresa, o que requer um forte comprometimento da alta direção com o projeto de implantação. O importante é persistir; o ganho virá na medida em que a Gestão Empresarial fica mais transparente, revelando, assim, os gestores líderes talentosos – uma vantagem competitiva valiosíssima para a empresa.
De 2000 a 2004, segundo a e-Consulting, o investimento de empresas brasileiras em BSC cresceu mais de 500%; uma evolução que se torna lógica ao considerar benefícios evidentes para a Gestão Empresarial como: minimização de divergências na operacionalização do planejamento estratégico; alinhamento de todos os níveis da organização aos objetivos corporativos; redução do tempo gasto para coletar e organizar informações gerenciais, de dias para minutos; comunicação de informações pertinentes em todos os níveis da organização, em tempo real; compreensão de todos quanto a sua contribuição individual para o resultado corporativo; monitoramento preventivo das ações previstas; aumento de produtividade na análise de relatórios gerenciais, através de grande capacidade de detalhamento (drill-down/up).
Muito importante: mais autonomia dos gestores que podem buscar os modelos pré-definidos na intranet e criar versões sob medida, de acordo com suas necessidades - o "tchan" do BSC: por que não se apaixonar por ele? |