
US$ 1.000.000.000.000...
estamos entendendo ainda as dimensões de valores?
US$ 1,1 trilhão, é essa a cifra da dose a ser injetada na veia financeira do mundo.
Os líderes mundiais decidiram destinar US$ 1,1 trilhão para revitalizar o sistema financeiro. Estima-se que, até o fim de 2010, o montante chegue a US$ 5 trilhões.
Faz parte do aprendizado da tal de crise internacional, assimilar quantos zeros tem 1 trilhão. Para quem tem dúvidas: a cifra R$ 1.000.000.000.000 tem 12 zeros.
Para ponderar melhor o peso deste número, vamos lembrar (em analogia a uma comparação feita por um telespectador espanhol): O planeta tem 6,8 bilhões de habitantes. Dividir 1 trilhão de dólares entre as 6,8 bilhões de pessoas equivaleria a entregar 147 milhões de dólares a cada uma…
Fazendo um outro cálculo relacional, vamos comparar a cifra de US$ 1.000.000.000.000 com uma outra cifra: (apenas) US$ 3.000.000.000, ou 0,3% desse valor, seriam suficientes para combater a fome no mundo, por um ano (como ilustrado pela TV Deutsche Welle)...
Diante da “generosidade” mostrada em relação à ajuda financeira aos bancos, podemos concluir: (1) tem muito dinheiro disponível; (2) onde tem vontade política, o dinheiro aparece; (3) quando é para recorrer ao sistema financeiro, criam-se mecanismos de canalização.
Não está na hora de injetar uma dose financeira na veia educacional do mundo, reconhecido como a moeda de troca de desenvolvimento sustentável?
Olhando para frente: a maioria dos habitantes do planeta vive num mundo em desenvolvimento, cuja população passará de 5,6 bilhões de indivíduos neste ano para 7,9 bilhões em 2050 (France-Presse).
Em outras palavras, em vez de já projetar que, até o fim de 2010, o montante de ajuda financeira chegará a US$ 5 trilhões, como se estivéssemos diante de uma fatalidade, por que não investir já em educação, cognitiva e(!) comportamental?
Repetindo: não é uma questão de dinheiro disponível, mas aparentemente a falta de vontade política que impede a viabilização.
O jogo de trilhões tende a criar um “buraco negro” na noção de valor: estamos conseguindo ainda entender se o valor de US$ 1 trilhão é muito ou pouco? Será que já estamos perdendo a consciência de que a preservação, ou melhor, a reconquista de valor ético não custa nada, bastando apenas querer? Por que não assimilar que o desencaixe financeiro tem valor apenas imediatista e o investimento em educação tem seu valor na sustentabilidade de crescimento e expansão, tanto individual como coletivo?
Por onde começar a mudar para fazer deste momento uma oportunidade para resgatar o valor do respeito ao próprio futuro e ao dos outros?
As organizações de ponta estão adotando boas práticas de ética no tratamento dos stakeholders (colaboradores, clientes, fornecedores, comunidade e,claro, investidores); tudo é uma questão de responsabilidade corporativa, que objetiva a relação limpa e participativa com o seu público.
Apostando nessa oportunidade, tomo a liberdade de fazer uma analogia com um pensamento de Albert Einstein: “Não é com os pés que se sobe os degraus da escada da vida, é com a cabeça!”, no sentido de “Não é (só) com o dinheiro que se sobe os degraus da escada da sustentabilidade econômico-financeira, é com a ética”.
Para tornar-me mais explícito: injetar ética na veia educacional não custa US$ 1.000.000.000.000...
30/04/2009 |